segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Minhas reflexões sobre A Cadeira de Prata

Ouvi falar sobre As Crônicas de Nárnia pela primeira vez quando estreou nos cinemas a saga O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. Até então, Nárnia, Aslam e C.S. Lewis, autor dos livros, eram totalmente desconhecidos para mim.

Aluguei o DVD do primeiro filme. Fui ao cinema, duas vezes inclusive, ver o Príncipe Caspian, o segundo longa-metragem. O terceiro e, último até então, A Viagem do Peregrino da Alvorada, fui ao cinema e vi em 3D. Até o segundo filme, eu ainda não havia lido os livros.

Resolvi pegar o primeiro livro em uma biblioteca pública. O Sobrinho do Mago é o nome dele, se levarmos em conta a ordem cronológica da história e não o período em que foi publicado (mais detalhes veja aqui). Depois, passei para os outros - consegui todos eles em arquivo .doc e li até A Viagem do Peregrino da Alvorada - antes do lançamento do filme homônimo - pelo computador. Tarefa complicada para mim, já que prefiro ler as histórias no papel impresso, mas a leitura era tão leve e empolgante que me esquecia que estava lendo pela tela do notebook.

Então, fiz minha primeira compra online - em pleno 2010! - e o livro que adquiri foi As Crônicas de Nárnia volume único, livro que reúne todas as sete histórias! Então, comecei a ler A Cadeira de Prata e agora este post vai começar a falar sobre seu ponto principal.

Se você não quer saber spoilers sobre o livro A Cadeira de Prata, da série As Crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis, pare a leitura aqui.

Eu já sabia que os livros de C.S. Lewis tinha um teor altamente cristão. Afinal de contas, no primeiro filme lançado, vi várias referências às consequências do pecado, ao sacrifício e ressurreição de Jesus etc. O segundo filme falava muito sobre a fé. Mas A Cadeira de Prata simplesmente me deixou de queixo caído, me surpreendeu.

O livro enfoca a história de Eustáquio (já presente na saga anterior, A Viagem do Peregrino da Alvorada) e Jill, novata em Nárnia, para resgatar o Príncipe Rilian, filho do então Rei Caspian X. Tudo gira em torno da missão dos dois, dada por Aslam. 

Uma das capas do livro, em inglês


É interessante perceber que Aslam ressalta que Jill deve gravar na memória os sinais que a ajudarão a encontrar Rilian. São quatro sinais e a perca de um deles certamente dificultaria ou até impediria os dois jovens de continuar na missão. E é exatamente isso que acontece: em vários momentos, Eustáquio e Jill, acompanhados em uma parte da jornado pelo paulama (deve ser uma espécie de sapo) Brejeiro, desviam-se do seu propósito de resgatar o príncipe

Cheguei a me arrepiar em vários momentos, pensando como é da mesma forma nossa vida cristã. Em um desses momentos, os missionários (chamarei eles assim por estarem, de fato, em uma missão) são interceptados por dois desconhecidos, uma dama de verde e um cavaleiro vestido de preto. A dama, muito afeiçoada, sugere aos três, cansados de tantas andanças, que passem em um castelo para descansar, alimentar-se etc. É interessante ver como os missionários esforçam-se tanto tempo para chegar ao tal castelo, brigam entre si e esquecem-se totalmente do propósito dado por Aslam.

Da mesma forma, nós, servos de Cristo, também nos distraímos com "promessas" desta vida, passamos tempo demais lutando e buscando coisas que nem sabemos se, de fato, valerão a pena e nos esquecemos muitas vezes da ordem dada por Deus, que certamente nos trará muitas bênçãos futuras.

Além disso, quando finalmente os missionários chegam ao lugar em que está Rilian, logo de cara, não imaginam que seja ele. Veem um rapaz metido e totalmente devoto à dama de verde. O rapaz fala sobre seus momentos de alucinações e que começa a falar coisas equivocadas e fica violento, até transformar-se em uma serpente. Ele é amarrado a uma cadeira de prata (daí que surge o nome do livro) e começa a "transformação". Porém, era necessário que os missionários lembrassem de um dos sinais ditos pro Aslam: o príncipe pediria algo em nome do próprio Aslam. 

É exatamente isso o que acontece: o jovem debate-se, grita e pede em nome de Aslam pela libertação. Os missionários veem-se então em um dilema: deixá-lo preso para não correrem o risco de vê-lo transformar-se em uma serpente que poderia matá-los ou libert-lo, lembrando-se de um dos sinais ditos por Aslam?

Muitas vezes, também nos vemos em alguns dilemas em nossa vida. E precisamos nos lembrar daquilo que Deus nos diz em sua Palavra, viva e eficaz, ainda que pareça absurdo aos olhos dos outros e no contexto da situação. Bom saber que os jovens e o paulama tomaram a decisão certa de libertar Rilian!

Mas a dama de verde aparece. Tenta enganá-los, fazendo várias perguntas sobre o mundo deles, o mundo de cima - já que eles estavam em um mundo subterrâneo - e sobre Aslam, se de fato ele existia. Da mesma forma, as situações e o inimigo de nossas almas tentam nos desviar do foco, tentando fazer com que a gente esqueça de Deus, do sacrifício e ressurreição de Jesus, do Espírito Santo que é o nosso Consolador, da esperança que temos de uma eternidade feliz ao lado do Pai.

A dama de verde transforma-se em uma serpente. Sim, ela é a representação do diabo, Satanás, o nosso adversário, a serpente que enganou Eva, mas que será pisada e derrotada, assim como foi destruída no livro.

Bom saber que não é só ficção. Bom saber que venceremos todos aqueles que têm Jesus Cristo no coração e perseveram até o fim, a despeito de todas as dificuldades que surgem no nosso dia-a-dia. Essas foram apenas algmas das minhas ideias que surgiram ao ler esse livro, tiveram muitas outras, muito profundas. Amo quando Deus me fala através de livros, não é a primeira vez e creio que não será a última. 

Talvez outras pessoas tiveram a mesma percepção do que eu. Talvez outras tiveram ainda mais insights sobre a história. Ou encararam tudo como uma grande fantasia. Só quero dizer a você, querido leitor, que conheço ou não, que já vi ou não, que guarde no coração esta palavra que escreverei agora: só há esperança em Cristo, Você pode ir buscar muitas coisas, mas saiba que só será pleno - completo, satisfeito - em Jesus. Não significa que você não passará por problemas e nem sofrerá. Significa que você não está sozinho e que o Criador está contigo.

É isso (nunca mais tinha terminado meus posts assim).

Um comentário:

Mia Dailan. disse...

eu simplesmente amo essa serie!!
amo os livros
ele eh um autor realmente profundo e consegue tocar a alma das pessoas com palavras muito simples!

lidi e o seu bom gosto!